
Abri uma caixa que estava guardada
E dentro dela havia uma longa estrada
De caminho curvo e bem serpenteado
Caminhei sozinha deixando o passado
E em cada curva que eu encontrava
Milhares de coisas eu imaginava
Boas e más, simples e complicadas
Umas para esquecer e outras desejadas
Vi pobres e ricos, felizes e contentes
Tristes, alegres e também doentes
Vi gente com fome, e outra com fartura
Gente falsa e má mas muita também pura
Vi amor e carinho, em muitos corações
Ouvi fado, baladas e outras canções
Crianças que brincavam muito felizes
Outras com dores e com cicatrizes
Velhos alegres e agradecendo a vida
Outros só pensavam numa despedida
E em cada curva que eu encontrava
Milhares de coisas eu imaginava
E nesta caixa que estava guardada
O caminho não era o que eu sonhava.
Cecília Macedo