domingo, 1 de novembro de 2009

Velhice/Dor




















Os nossos velhinhos
Deixaram de sorrir
Acabam num lar
Sem ninguém os ouvir

Lutaram pelos seus filhos
Muitos, bem sucedidos
Que não querem saber
Se estão mortos ou vivos

Caem pela cara abaixo
Lágrimas de saudade
Dos tempos de outrora
Que tinham menos idade

Idade em que produziam
E que todos os dias lutavam
Pelos filhos que ainda amam
E que hoje os abandonaram

Sentem,-se trapos velhos
Amarrotados pelo tempo
Atirados para um canto
Sem terem nenhum alento

Vivem amargurados
Pela triste realidade
Sentindo-se esquecidos
Pela família e sociedade

Não esqueçamos a frase
Que tem também muita idade
Filho és pai serás...
Esta é uma grande verdade!

Céci

17 comentários:

poetaeusou . . . disse...

*
um velho num banco de jardim
O olhar triste e cansado procurando alguém
E a gente passa ao seu lado
a olhá-lo com desdém
Sabes eu acho que todos
fogem de ti prá não ver
A imagem da solidão que
irão viver
Quando forem como tu
Um resto de tudo o que existiu
Quando forem como tu
Um velho sentado num jardim
,
in-mafalda veiga,
,
conchinhas, deixo,
,
*

FERNANDA & POEMAS disse...

QURIDA CÉCI, GRANDE VERDADE NO TEU MAGNÍFICO POEMA... VERDADES QUE ATÉ FAZER DOER O CORAÇÃO... POBRES PESSOAS... ESTE É UM TEMA QUE ME DEIXA MUITO SENSÍVEL... ABRAÇOS DE CARINHO E AMIZADE,
FERNANDINHA

Agulheta disse...

Querida Céci! Se calahar eu mais que ninguém tão bem compreende as tuas palavras,para além de os deixar nos lares,alguns os deixam nos hospitais e nem os vão visitar,e quando os levamos a casa de familiares e eles são enjeitados pelos mesmos,adoreias palavras.
Beijinho no teu coração.
Lisa

FOTOS-SUSY disse...

OLA CECI, MARAVILHOSO POEMA...UMA VERDADE MUITO TRISTE, MAS INFELIZMENTE E A RELIDADE DO QUE PASSA COM OS IDOSOS...VOTOS DE UMA EXCELENTE SEMANA!!!
BEIJOS COM AMIZADE,


SUSY

Ana disse...

Minha querida e doce Céci!
Adorei este maravilhoso poema que dedicaste às "crianças" velhinhas. É tudo verdade o que dizes no teu belo poema, já agora vou escrever aqui o que também escrevi na Luna.
Na sexta-feira fui ao lar visitar a minha bebezinha velhinha, consolou-se com o miminho que lhe dei nem imaginas! Como está ceguinha só quer estar a agarrar-me a mão para me sentir perto dela. Os outros que estão com ela ficam com um sorriso quando lá chego e os cumprimento com um beijinho, querem todos muita atenção, passam a vida a chamar-me para me contarem os seus desabafos. Está lá uma velhinha muito linda e muito alegre e que nunca tem visitas porque os filhos e família estão no estrangeiro, mas adora que eu fale com ela e diz-me sempre a mesma coisa, não tenho ninguém que me visite e eu respondo-lhe tem-me a mim, podia muito bem ser sua filhota e ela dá uma gargalhada.
Na sexta-feira fizeram um teatrinho (halloween) feito com velhinhos e crianças do infantário do lado, observei-os a assistir, tanto as crianças como eles sorriam da mesma maneira às brincadeiras da "bruxa" boa (animadora social). No fim foi uma festa, um grande convívio entre todos. Foi uma tarde maravilhosa mas não vi mais ninguém da família deles, o que me entristeceu muito. Hoje ninguém tem paciência para os velhinhos e se vão lá é visita de médico, porque a vida hoje é uma correria louca.
Enfim eu já não devo chegar aquelas idades, mas se eventualmente tiver que ir lá parar já sei o que também me espera.:-(
Sente um abraço muito apertadinho,
Guga

ausenda disse...

As quadras que aqui nos deixaste, são espelho de uma sociedade que não dá valor ao seu património humano, para quem o amor é tão só o seu próprio umbigo!
Velhiçe neste País é sinónimo de solidão e de dor, como tu tão bem o disseste...e tão vulneráveis, impotentes e indefesos que são os nossos velhos!
Para reflectirmos...!

Um beijo

Nilson Barcelli disse...

Gostei imenso das tuas quadras.
Sempre direitinhas, métrica e rima a preceito, enfim, o que escreves dá para ser cantado.
Querida amiga, boa semana.
Beijos.

Canduxa disse...

Querida Céci,

Apesar de ser uma triste realidade o que escreves nestes versos, acredito que ainda há muitos velhinhos acarinhados pelos filhos e pelos netos. Mau seria se tal não acontecesse!
Também não podemos esquecer que colhemos muitas vezes aquilo que semeamos e há muitas pessoas que são incapazes de perdoar, mesmo quando vêm os pais velhinhos.
Há necessidade de mudar muita coisa na nossa vida para podermos ter uma velhice mais confortável e menos solitária que eles.
Gostei muito desta reflexão, que os teus versos nos ajudaram a fazer.

Beijinhos de luz

mariana emídio disse...

Olá, boa noite!
Peço desculpa por "invadir" o seu espaço, que descobri através do blog da minha amiga Ana Paula.
Fiquei bastante sensibilizada com o seu poema, porque reflecte uma triste realidade da nossa sociedade. Parabéns pelo belíssimo poema!!!
Beijinho terno,
Mariana

Abstrata disse...

Céci minha amiga!!
sabe de uma coisa, doeu-me o coração ao ler teu poema,
é bem verdade mesmo que nossos idosos estão abandonados...


Beijinhos

Secreta disse...

Esta é uma realidade demasiado repugnante...
Beijito.

DE-PROPOSITO disse...

Acabam num lar
-------------
A complexidade de se chegar a 'VELHO'. Creio que em tempos recuados ainda era pior (havia mais fingimento). E quando a morte libertava um idoso, lá vinha a célebre frase; 'foi uma esmola que Deus fez'. Isto nas camadas 'desfavorecidas', por que nas outras não sei dar opinião.
---------
Felicidades.
Manuel

O Profeta disse...

Frias pedras, negro basalto
Sentinelas do receio à tempestade
Testemunhas da viajem do tempo
Cobertas de sal, guardiãs da verdade

Mas, não há duas reais verdades
Não há rios que correm para o alto
Não há amor num coração que mente
Não há ternura sem viver o momento


Vem viver a minha cidade inventada


Doce beijo

RETIRO do ÉDEN disse...

Querida Céci,

Exactamente por ter esse coração sensível e de manteiga, sempre me ocupei dos meus queridos bisavó,avós, agora mãe e sogra.

Mas há idosos e idosos e por mais que o nosso coração dê amor e perdão...nada se pode modificar quando as raízes são menos boas.

Adoro os seus versos e ao lê-los dedico-os aos meus queridos velhinhos que ainda amo apesar de já não estarem entre nós.

Tenho e sempre tive o maior respeito e aprendi muito, muito, com todos os meus ascendentes.
Ainda hoje continuo a recordar com uma saudade imensa todo o amor que recebi e que lhes dei.
Bjs.
Mer

Agulheta disse...

Céci! Uma visita curta,mas para deixar um olá e um sorriso aberto e são.
Beijinho e bfs Lisa

Vieira Calado disse...

É a vida... amiga!

Beijinho

poetaeusou . . . disse...

*
amiga
senti o teu poema,
,
globais sonhos
não realizados
problemas graves
grandes, frustrados,
de todos os povos
em todos os paises
mulher sacrificio
mulher perdida
mulher da rua
mulher vazia
mulher á toa
mulher da vida,
minha irmã . . .
,
conchinhas de tolerancia, deixo,
,
*